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ANEEL consolida processo de materialidade ESG e sinaliza nova fase da regulação do setor elétrico 

ANEEL consolida processo de materialidade ESG e sinaliza nova fase da regulação do setor elétrico 

23/02/2026

Autores

Rafael Romero - Associado

Arthur Prudente - Associado

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) concluiu, em 2025, seu primeiro processo formal de materialidade ambiental, social e de governança ESG. A medida define prioridades para os ciclos regulatórios de 2026 e 2027 e sinaliza que a sustentabilidade passa a integrar o centro das decisões regulatórias. O tema interessa a concessionárias, investidores e consumidores, pois pode influenciar regras futuras do setor elétrico. 

O processo resultou na definição de 13 temas considerados materiais, que orientarão a atuação da ANEEL nos ciclos regulatórios de 2026 e 2027. A construção dessa matriz envolveu consultas a agentes do setor elétrico, representantes da sociedade civil e equipes técnicas internas. 

Não se trata apenas de planejamento estratégico: a definição de materialidade tende a influenciar gradualmente a arquitetura regulatória do setor. 

O que significa materialidade ESG no contexto de uma agência reguladora? 

Materialidade ESG é um instrumento de governança que identifica quais fatores ambientais, sociais e institucionais têm maior impacto sobre a organização e maior relevância para suas partes interessadas. 

Quando adotado por uma agência reguladora, o conceito se traduz em definição de prioridades regulatórias orientadas por critérios de sustentabilidade, risco sistêmico e governança. 

Ao institucionalizar esse processo, a ANEEL reconhece ESG como eixo estruturante da regulação, e não como agenda paralela. 

Na prática, a materialidade pode influenciar: 

  • prioridades de atuação institucional; 
  • desenho de consultas públicas; 
  • critérios de avaliação de concessionárias; 
  • exigências de reporte regulatório; 
  • integração de indicadores ESG em instrumentos normativos; 
  • comunicação com agentes do setor. 

Quais os impactos esperados para concessionárias e agentes do setor? 

A consolidação da agenda ESG cria ambiente de expectativa regulatória. Embora ainda não represente obrigação normativa direta, os temas reconhecidos como materiais tendem a orientar revisões regulatórias futuras. 

Isso pode afetar: 

  • revisões de resoluções e normas setoriais; 
  • métricas de desempenho institucional; 
  • critérios de sustentabilidade aplicáveis a concessões; 
  • padrões de reporte e transparência regulatória. 

Empresas do setor elétrico passam a enfrentar maior pressão por alinhamento com padrões ESG reconhecidos pela agência, tanto em governança interna quanto em prestação de informações. 

Esse cenário gera demanda por: 

  • revisão de programas de compliance ESG; 
  • estruturação de políticas internas alinhadas à regulação; 
  • mapeamento de riscos regulatórios associados à sustentabilidade; 
  • due diligence ESG com foco setorial. 

O que diz a regulação recente da ANEEL? 

A movimentação da ANEEL em direção a agenda ESG não começou agora. Em 25 de setembro de 2025, a Agência determinou a reabertura da Consulta Pública nº 64/2022, a fim de obter novos subsídios para a elaboração de resolução normativa destinada a revisar as Normas de Organização ANEEL nº 40/2013, que dispõe sobre a Governança Regulatória da ANEEL e seus instrumentos de: Agenda Regulatória; Análise de Impacto Regulatório (AIR); Avaliação de Resultado Regulatório (ARR) e Gestão do Estoque Regulatório. 

Os instrumentos citados assumem papel central no sistema de governança da Agência, uma vez que organiza decisões, reduz riscos e aumenta a transparência das ações da ANEEL, bem como otimizam sua atuação enquanto conscientizam sua Diretoria sobre quais assuntos deverão ser prioritários. 

A Agenda Regulatória assegura maior previsibilidade e alinhamento estratégico às prioridades socioambientais e de governança; a AIR melhora a qualidade das normas expedidas, ao medir efeitos econômicos e regulatórios antes de sua edição; a ARR verifica, após a implementação da norma, se os objetivos regulatórios e os resultados esperados efetivamente alcançados; enquanto a Gestão do Estoque Regulatório evita o excesso e obsolescência das normas, promovendo eficiência, simplicidade e segurança jurídica. 

Como a materialidade pode influenciar o futuro do setor? 

A matriz de materialidade funciona como um indicativo de prioridades futuras da ANEEL. Temas hoje classificados como materiais podem, nos próximos ciclos regulatórios, se converter em: 

  • indicadores formais de desempenho; 
  • critérios obrigatórios de reporte; 
  • condicionantes regulatórias; 
  • parâmetros de avaliação de concessões. 

O setor elétrico entra em uma fase em que ESG deixa de ser agenda reputacional e passa a assumir natureza regulatória, com isso, problemas conhecidos do setor, como: restrições de escoamento de energia (constrained-off); desafios na prestação dos serviços de distribuição; instabilidade tarifária; acesso à rede de transmissão, dentre outros, passam a ter maior destaque nas discussões da Agência, ganhando protagonismo e papel central na busca por soluções regulatórias. 

O processo de materialidade da ANEEL sinaliza uma inflexão relevante: sustentabilidade passa a integrar o núcleo da regulação elétrica. Para concessionárias e investidores, o tema assume dimensão jurídica e regulatória, deixando de ser apenas comunicacional. 

Antecipar essa transição representa, ao mesmo tempo, estratégia de compliance e vantagem competitiva. 

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